15 de jan. de 2012
Desabafo
7 de mar. de 2011
Onde está o amor?
6 de mar. de 2011
Domingo?
23 de fev. de 2011
Se sentir notado.
14 de fev. de 2011
Don't be afraid
7 de dez. de 2010
É assim.
26 de nov. de 2010
Free

A minha maior vontade, no momento, é trabalhar em um cruzeiro. Seja de faxineira, ou qualquer outra coisa. Só queria rodar o mundo, sem ter um lugar para ir, ou para voltar. Sem se preocupar com o que pode acontecer. Apenas conhecer o mundo, ter ele para você. Outro dia ouvi uma frase "Por que fazer da casa o seu mundo se você pode fazer o mundo a sua casa?". E ela é perfeita. Uma das melhoras sensações da minha vida foi quando ao voltar de um curso, eu parei em um parque e percebi que não tinha que dar satisfação para ninguém. Não havia ninguém me esperando em casa. Nem sabiam que eu tinha saído. Essa sensação de liberdade foi uma das melhores sensações da minha vida. A Liberdade de poder fazer o que quiser, sem ter que ligar para alguém dando satisfação. Quando você é jovem, você dá satisfação para mãe, pai, a família em geral. Quando cresce, você dá satisfação para o marido. E a liberdade? Não acontece. Nunca. As pessoas deviam ter essa liberdade. Decidir e arcar com as conseqüências daquilo que decidir. Por que não? Se as pessoas ao menos soubessem que se sentir livre, livre de preocupação, de satisfação, de opinião, é a melhor sensação do mundo. Você não precisa ser sozinho para ser livre. Você precisa viver consigo mesmo para ser livre. Ser quem você gosta, gastar o seu tempo com o que quiser e não se sentir culpado por isso.
19 de set. de 2010
Momentos Esquecidos

Dois dias se passaram. Nada dela acordar. Estava nervoso, meu coração congelado. O medo de nunca mais vê-la sorrir assombrava todos os órgãos. Sentia-me sozinho naquele corredor enorme do hospital. Meu irmão gêmeo sentado ao meu lado parecia mais uma sombra do que alguém tentando me acalmar. Ignorava a todos. Lembranças do acidente atormentava meu pensamento. Não esquecia da imagem dela sentada no banco do carro, de olhos fechados, parecia morta. Não estava. O médico disse que ela poderia acordar a qualquer hora, ou não. Poderia haver consequências, ou não. Estava ficando louco com tantas incertezas.
"Tom, ela sofreu uma pequena perda de memória. Seu cérebro voltou para dez anos atrás. Na maioria dos casos, a memória volta. Pode demorar dias, meses ou anos, mas normalmente volta." Tentava assimilar o que ele dizia, mas não conseguia. Simplesmente, não aceitava o fato que ela tinha esquecido todas as coisas que tínhamos passado juntos. Todas as horas sorrindo, brincando, dançando e discutindo. "Você poderia estimular que essa memória voltasse". Perguntei como e o médico sugeriu que eu a levasse a lugares que a marcaram durante esses anos. Entrei no quarto, receoso e ansioso de vê-la. Ela me viu e sorriu. "O médico disse que eu perdi a memória, então desculpa se não te reconheço" disse com toda a simpatia comum que tinha. "Disse que estamos em 2010. Duvidei até ele ligar a televisão." riu de si mesma. Ela conseguia aceitar isso na boa, mas eu não. "Tudo bem". Foi a única coisa que consegui dizer ao sentar ao seu lado. "Há quanto eu te conheço?" perguntou, olhando para o meu rosto. Tentava me decifrar, conhecia esse olhar. "Sete anos. Faz um ano que casamos." Fez cara de surpresa e riu-se. "Ah, não acredito. Você é bonito demais para ser meu marido." Ficou séria, de repente, e sussurrou: "Deve estar sendo difícil para você". Sim, estava sendo muito difícil.
Já se passava da uma da manhã quando sentamos em volta da árvore para entregar os presentes. Peguei o meu, uma caixa vermelha, e entreguei à ela. Segurou a caixa, sorrindo ao puxar os laços feitos. Abriu a pequena caixa e arregalou os olhos quando viu um colar de ouro com pequenos diamantes. "É lindo, Tom. Deve ter custado uma fortuna." Sim, era esse seu jeito de agradecer. Entregou-me o colar e permitiu-me que colocasse em volta do seu pescoço. "Amei. É lindo. Isso deixa o meu presente lá embaixo. Mas, afinal, o que se dá a alguém que tem tudo?" Procurou seu presente no meio dos vários e me entregou. Abri a média caixinha. Lá dentro havia uma guitarra de vidro. Artisticamente linda e a sua volta havia um pingente de ouro que abria e lá dentro via-se uma foto. Era eu e ela rindo. A foto foi tirada há um mês em Los Angeles. Amando o presente, agradeci com um abraço. Essas coisas simples que eu queria que ela não tivesse esquecido.
Sentados no sofá, bebendo vinho e ouvindo música, depois que todos foram embora, conversávamos sobre coisas que haviam acontecido no dia. "Você viu a travessura que seu irmão fez na mesa, Tom?" perguntou, enchendo novamente meu copo. "Não, o que foi?". "Ele derrubou um camarão debaixo da mesa. Como ele não queria que ninguém visse, ele chutou o camarão para longe e este foi parar debaixo do móvel. A Rosalie vai brigar contigo amanhã." Sorri, bebendo um gole do vinho. "Ela vai brigar com o Bill, ela sabe que eu não faço essas coisas". Ela riu e levantando do sofá disse que ia dormir. Na metade da escada, ela parou e olhou-me "Você não vai subir?". "Não agora, vou ficar aqui mais um pouco." respondi. "Tudo bem. Tom, deixa eu te perguntar." disse, apoiando-se no corrimão da escada. "Você me contou pouca coisa sobre nós antes do acidente. Como era nosso relacionamento antes disso tudo?". Olhei para ela, pegando um pouquinho da coragem lá do fundo e disse: "Éramos um ótimo casal. Tivemos alguns problemas no começo por nossa agenda não se bater muito, mas quando nos encontrávamos ficávamos um mês grudados, na cama, conversando e rindo. Nos amávamos muito." Sem dizer qualquer coisa, virou as costas e subiu.
No dia 31 a neve se intensificava. Todo mundo já estava no último andar do hotel para ver a chuva de fogos. Fui à janela, Natalie observava as coisas lá fora. Quieta demais, silenciosa demais. "Eu amo essa visão." disse ao perceber minha presença. "É linda." Sorri. Sua mão encostou na minha e sem que eu percebesse ela entrelaçou nossos dedos. Ficamos assim um tempo. Olhando a linda vista e um acariciando a mão do outro. "Tom", quebrou o silêncio. Senti que sua mão suava, mas não disse nada. "Eu te amo." sussurrou, antes de eu dizer algo continuou. "Eu te amei antes, por que você acha que eu não poderia te amar agora? Eu amo você, Tom. Não sei se é diferente, mas sei o que sinto por você agora", terminou e saiu dali em direção a mesa de refeição. Meu coração estava aliviado. Olhei para a mulher sentada na mesa e sorri por saber que ela poderia me amar apesar de tudo.
Quando chegamos em casa, chamei-a para conversar na sala. Sentamos no pequeno sofá e sem saber por onde começar, perguntei: "Você disse que me ama, certo? Você me ama por que acha que deve me amar?". Ela segurou minha mão e lentamente respondeu: "Não, Tom. Eu não disse que te amo porque acho que devo te amar. Faz cinco meses que tudo isso aconteceu, acha que não é tempo suficiente para eu te amar de novo?". Olhei para ela passando os dedos pelo seu rosto. "Eu te amo tanto. É suficiente, eu te amei nos primeiros dois meses." Natalie sorriu. "Eu te amo tanto, Tom." Coloquei minhas mãos no seu rosto, puxei-o para o meu e beijei seus lábios com toda a vontade. Ela puxou meu corpo pela camisa, colando nossos corpos. Deitei-a no sofá, beijando seu pescoço, rosto e boca. Sussurrei em seu ouvido que a amava. Ela deixou suas mãos em minhas costas, tirando minha camiseta. Por um momento, parou de fazer tudo que estava fazendo, olhou para mim e disse: "Eu lembrei, Tom. De tudo." Arregalei os olhos e antes mesmo de dizer algo, ela beijou-me e nos amamos loucamente ali no sofá, depois subimos e fizemos tudo de novo na cama.
13 de set. de 2010
8 de set. de 2010
20 de ago. de 2010
Lá do alto
"Vou cantar uma música do Bon Jovi. Gostam?" Segurou o microfone com as duas mãos. Ouviu o barulho da guitarra e começou: "This ain't a song for the broken-hearted". Bateu o pé no chão, balançando a cabeça no ritmo da música."No silent prayer for faith-departed." Continuou olhando para as poucas pessoas que estavam na sua frente. Reconheceu algumas pessoas, mas era a primeira vez que cantava na frente delas. "I ain't gonna be just a face in the crowd. You're gonna hear my voice. When I shout it out loud." Não estava nervoso. Cantava para si. Se encontrava na própria voz, sentia a energia da música e quando cantava não se importava com quase nada. "It's my life. It's now or never. I ain't gonna live forever. I just want to live while I'm alive." O homem em pé na porta olhava-o de cima a baixo. Analisava-o. Sabia o que ele queria, só não sabia se poderia ser o que ele pedia. "It's my life. My heart is like an open highway. Like Frankie said I did it my way. I just wanna live while I'm alive. It's my life." Lembrou da infância e da dificuldade que passava na família. Seu pai ouvia música todo o tempo, o que fez o garoto desde de cedo se interessar por cantar. Lembrou dos desejos que tinha ao ver o vizinho ter aquilo que queria para si. Não sentia inveja, mas ficava revoltado com o menino que não valorizava a sorte que tinha. "This is for the ones who stood their ground. For Tommy and Gina who never backed down." Nunca se deu bem com o vizinho. Ambos não podiam pernacer no mesmo local que já iam brigar. Acusava o menino do lado de riquinho, este chamava-o de pobrinho. Os pais logo viam separar, mas na semana seguinte estavam novamente discutindo. "Tomorrow's getting hard make no mistake. Luck ain't even lucky. Got to make your owns breaks." Na adolescência nunca se viam, porém foram se encontrar na faculdade. Estranhamente o vizinho também foi fazer música. Diferente da infância, viraram amigos. "It's my life. It's now or never. I ain't gonna live forever. I just want to live while I'm alive." Descobriram muitas coisas em comum. No fim do curso, formaram uma banda junto com outros três caras. Viajaram para muitos lugares, tocaram em pequenos bares e fizeram grandes amigos. "It's my life. My heart is like an open highway. Like Frankie said. I did it my way. I just wanna live while I'm alive. It's my life." Não conseguiram a verdadeira fama, mas quando voltavam para um lugar sempre os reconheciam. Eram felizes, não precisavam ganhar muito dinheiro com isso. "Better stand tall when they're calling you out. Don't bend, don't break, baby, don't back down." A felicidade acabou quando um dos caras foi vitima da violência do país. Encontraram o corpo do seu antigo vizinho, agora melhor amigo, em uma rua da Grande São Paulo. Disseram que reagira ao assalto, só que isso não importava mais. A banda perdeu um grande integrante. Não conseguiram se reestruturar depois do desastre e tudo acabou. "It's my life. It's now or never. I ain't gonna live forever. I just want to live while I'm alive. It's my life. My heart is like an open highway. Like Frankie said. I did it my way. I just wanna live while I'm alive. It's my life." Percebeu que como nunca sentia a falta do garoto que o irritava quando criança. Percebeu que tivera uma imagem errada na infância. Ia viver, mas o melhor amigo jamais seria esquecido. "It's now or never. I ain't gonna live forever. I just want to live while I'm alive." Depois de dois anos, um produtor o procurou. Escutou um de seus cds independentes e gostou. Agora estava com a sua banda se apresentando exclusivamente para a gravadora. Eles não só iriam fazer o disco, mas iriam divulgá-lo. "It's my life. My heart is like an open highway. Like Frankie said. I did it my way. I just wanna live while I'm alive. It's my life." Terminou a canção e ouviu os aplausos da pequena platéia. Sorriu e sabia que tinha dado certo. Não precisava pensar muito sobre o nome do primeiro álbum. Com certeza, colocaria o nome do vizinho como homenagem. Afinal, ele também faz parte da banda. Ouviu o produtor dizer para tocarem uma música de sua autoria e começou a cantar de novo.A música se chama It's my life do Bon Jovi.
14 de ago. de 2010
Desejo
31 de jul. de 2010
Sentimentos

Brigas e mais brigas. Discussões desnecessárias. Palavras rudes digeridas um ao outro. Juras de ódio, desprezo, vontade de esganar, ciúme, medo. Um olhar magoado o fere como uma espátula quente entrando dentro do seu corpo. Um erro feito que muitas vezes é perdoado, porém jamais esquecido. Lembranças ruins. Cobrança, palavras malfeitas. A raiva sobe, junto com as lágrimas. Tenta fazê-las voltar, mas não consegue. O outro se desespera. Acredita ser fingimento, drama demais. Deixa-a no sofá e abre a porta de casa. Foi para qualquer lugar. A voz dela zumbia em seu ouvido como um pernilongo irritante. Se pudesse voltar no tempo... mas não pode. Não queria magoá-la de novo. Sentada no sofá agarrada as almofadas revia todos os acontecimentos do dia. De manhã tomara café e fora trabalhar. Havia decidido, para mudar de rotina, almoçar em casa naquele dia. O marido não estaria em casa, mas queria sentir o cheiro dos móveis novos, sentar no seu sofá e assistir a qualquer programa ridículo na televisão. Agora, preferia ter almoçado no escritório. Em casa, fora surpresa com o marido com uma amante. Não desconfiara de nada, sempre estava ligada demais ao trabalho. Não tinham filhos, não queria. O telefone toca, ela não atende. Logo após a voz da secretária eletrônica ouve o homem que estava casada há seis anos. Perde perdão e diz que não iria acontecer outra vez. "Todos dizem isso" pensou. Levantou do sofá, pegou sua bolsa e saiu da casa. Entrou no carro, decidida. Não iria ficar se lamentando por algo assim, não era do seu tipo. Foi parar em um apartamento na parte nobre da cidade. O porteiro já a conhecia, então deixou-a subir direto. Apertou o botão do sexto andar. Pensou em todos esses anos, vários fatos passaram em seus olhos. Se viu no dia que se conheceram e no dia que se casaram. Foram felizes, sabia. Não adiantava nada lutar por algo que não existia mais. Bateu na porta do 603 e o homem que atendeu ficou surpreso com a mulher a sua frente. Afinal, não acreditava que ela fosse aparecer aquela hora. Portanto, sorriu. Ela sorriu também. Olhou para ele. Esguio, alto, rosto marcante, lábios finos e vermelhos, cabelos negros, lisos que escorriam pela testa, bagunçados, olhos castanhos-esverdeados que no sol era maravilhoso. Se amavam há um bom tempo, mas nunca tiveram qualquer coisa. Não estava preparada para mudar de relacionamento. Agora estava? Não sabia. Só queria pensar no que aconteceria agora. Ele segurou nas suas mãos e puxou-a para dentro, fechando a porta atrás de si. Pela expressão do rosto dela, percebeu que havia acontecido algo. Não perguntou. Somente correspondeu quando os lábios carnudos da mulher beijaram os seus. Seu coração parou, segundos depois sua pulsação acelerava rapidamente. Amava todas as coisas nela. Esperou muito tempo para sentir o que sentira agora. Não iria fazê-la se arrepender. Jamais.
24 de jul. de 2010
Subir

6 de jul. de 2010
Contradictions
“And it’s a beautiful mess, yes it is.”

Convicção, contradições exageradas. Não se apega a pessoas, até mesmo, coisas materiais. Sorri necessariamente, ri escandalosamente. Humor inconstante. Criticamente analisando, criticamente argumentando. Insegurança, desconfiança. Vontade, desavontade. Medo lado a lado à coragem. Imaginação estranha, estranhamente imaginativas. Língua obscura, delicadeza e palavrão. Contradições sobre contradições. Liberdade presa a dependência. Futuro assustador, ansiosamente esperando o amanhã. Horas sonhando, horas cantando. Há quem não entende, mas nem sua mente consegue entendê-la. Timidez junto a surtos de extrovertimento. Poucas palavras, muitos pensamentos. Contradições contrárias: Contrárias ao mundo, as pessoas, a natureza, a Deus e até ao pensamento. Vontade de ser diferente, mas o diferente de si mesmo não a atrai. Inteligência é a palavra. Morre jovem, cedo envelhece. Um pouco de si mesmo ao mundo, tentando fazer todos compreendê-la, pois nem ela mesma si compreende.
24 de jun. de 2010
All I really want is you.
As músicas presentes são Halo da Beyoncé e Follow Through do Gavin Degraw
9 de jun. de 2010
Vozes eternas
Passava pelo corredor vazio, era começo da noite. Estava com pressa para chegar em casa. O dia havia sido longo, cansativo. Estivera naquele prédio desde às oito da manhã, não queria sentir nem o cheiro dele agora. Agora, voltava da biblioteca. Alugara um livro, um romance épico. Iria lê-lo no fim de semana, não estava com vontade de ir a qualquer lugar nos próximos dias. Ficaria o dia inteiro na cama lendo, imaginando e depois colocaria tudo isso no trabalho mês que vem. O professor havia de ficar satisfeito, pensou. Parou, de repente, em frente a porta da antiga sala de música no corredor. Ouviu um piano e uma música conhecida por ela. Esqueceu do cansaço e ficou ouvindo a voz maravilhosa. "Well it kind of hurts when the kind of words you write. Kind of turn themselves into knives. And don't mind my nerve you can call it fiction. ‘Cause I like being submerged in your contradictions dear. ‘Cause here we are, here we are." Paralisada ao som, não sabia se abria ou não a porta. Queria ver quem cantava a música, queria conhecer o dono dessa bela voz. Tomando coragem, abriu a porta. Vendo na sala, um jovem ao piano, cabelos loiros, pele branca. De costas, somente via parte da camiseta branca e da calça jeans preta. "Your comebacks they’re quick. And probably have to do with your insecurities. There’s no shame in being crazy, depending on how you take these. Words that paraphrasing this relationship we’re staging." Continuou cantando não percebendo a presença da jovem observando-o. Quase todos os dias antes de voltar para casa, ia aquela sala que descobrira dois anos antes e tocava. Ninguém aparecia ali depois que abrira a outra sala de música no andar de cima, então ficava tocando naquele lugar durante um tempo. Adorava isso, deixava sua voz soltar. Nunca havia sido notado, até agora. A mulher parada a porta contemplava o homem. Queria sentar ao seu lado e cantar junto, mas não permitia-se essa intromissão. Afinal, sua voz era maravilhosa demais para ser interrompida. Imaginou o que ele fazia, qual faculdade frequentava naquele Campus. Pensou que fosse música, mas poderia ser outra. Queria perguntar seu nome, se tinha namorada, onde morava, do que gostava. Sua curiosidade crescia a cada verso cantado. "And through timeless words in priceless pictures. We’ll fly like birds not of this earth. And tides they turn and hearts disfigure. But that’s no concern when we’re wounded together." Quase no fim da música, seu coração batia desesperadamente. A emoção dominava-a. Conhecia a música, somente não se apaixonara tão intensamente como agora. Ou era pela voz que estava se apaixonando? Ou era pelo homem que a cantava? Não sabia, mas não ousava mover o pé dali. "And we tore our dresses and stained our shirts. But it’s nice today, oh the wait was so worth it." Terminado de tocar, o jovem olhou para trás. Tivera uma sensação estranha durante a música, sentia que alguém o observava. Agora, olhando para trás não via ninguém. Provavelmente era algo da sua imaginação. Somente sabia que não cantava dessa maneira há muito tempo. Cantara com a alma, com a emoção, com o coração. Estava radiante. Saindo da sala, pensou que poderia voltar a tocar ali no outro dia. Talvez conseguisse cantar daquela maneira como cantara. De novo.(A música do texto é "A beautiful mess" do Jason Mraz)
4 de jun. de 2010
O mundo em algum medo

Correu para as escadas sem olhar para trás. Não sentia mais o corpo, somente o desejo de fugir dali. O medo dominando-a. Desceu as escadas rapidamente, pulando vários degraus ao mesmo tempo. Podia senti-lo ali, sua respiração parecia ainda correr pelo seu pescoço. Abriu a porta do térreo. Estava vazio, mas mesmo assim ficou com receio de sair. E se ele aparecesse? Não poderia vê-lo novamente, não conseguiria fugir. Decidiu arriscar e saiu correndo rumo a saída. No meio do caminho olhou para trás e o viu. O olhar penetrava no dela. Sorriu de uma maneira que a fez entender que ele iria atrás dela. Não descansaria até tê-la nos braços e fazer todas as coisas que sonhara. Por ora, saiu correndo rumo a grande avenida movimentada. Pensou em ir direto a policia, mas sabia que não adiantaria. Seu marido tinha grande poder de persuasão, provavelmente convenceria os policias que ela era louca. Depois de uns vinte minutos parou de correr, sentiu agora todas as dores que antes não sentira. Mas o medo ainda corria pela suas veias, o medo apavorava, consumia. Olhou para os lados, vendo inúmeras pessoas que não prestavam atenção. Não sabiam do perigo que a mulher de olhos negros estava sofrendo. Queria fugir. Queria voar como um pássaro e ir para qualquer lugar. Longe dele. Pensou na família, pensou em como ela o havia conhecido. Era elegante e charmoso, logo a conquistara e a pedira em casamento. Tonta, aceitara de imediato. Nem o conhecia direito, estava cega de paixão. Havia, somente, dois meses que casara e sentia que estava presa a ele a vida inteira. Entrou no banco, sem pensar muita coisa tirou boa parte da quantia que possuía. Tiraria o resto quando chegasse ao destino. Entrou no metrô, em direção a rodoviária. Ia embora, mudaria de nome, largaria tudo. Mais tarde, mandaria um e-mail para sua mãe, contando-lhe que estava bem. Não voltaria a pisar naquela cidade, nunca nem o veria.
2 de jun. de 2010
Um passado distante
de ontem, seu despertador interno nunca errava. As sete e meia da manhã despertara, levantando-se preguiçosamente até o banheiro. Antes reparou no calendário em cima da escrivaninha. 28 de Fevereiro. Não reparara que já haviam passado dois meses do Natal. Lembrou-se, de repente, dos natais de sua infância. Seu pai sempre o levava para a casa de seus avós em Nova Iorque, ficava admirado com a neve e a quantidade de luzes dessa época. Nesse tempo queria ser escritor, adorava ler romances antigos como "O morro dos ventos uivantes". Passava horas com um livro nas mãos, lendo, relendo e imaginando. Se identificava com as personagens e muitas vezes se colocava na história. Era mágico! Mas com o tempo perdeu essa magia, principalmente quando os pais morreram em um acidente e deixara uma empresa para cuidar. Não podia decepcionar o pai, então não abandonara a empresa. 10 anos depois estava ele ali, trabalhando muito. Fez projetos novos, mudou muita coisa e colocara a empresa com a sua cara, mas mesmo assim, não conseguia sentir o mesmo amor que sentia pela literatura quando criança. Sentou na mesa de café da manhã, logo a empregada trazendo um copo de café quente. Reparou na aparência tristonha da mulher e perguntou-lhe gentilmente o que havia acontecido. Surpreendeu-se quando ela começou a chorar e dizer que o marido havia fugido com uma amante. Sentiu dó e a mandou para casa, tendo o dia de folga. No caminho para o trabalho pensou na pobre senhora e imaginara com quem o infeliz fugira. Era uma mulher bondosa e honesta. Como poderiam largá-la de repente? Por isso, nunca casara. Não queria viver com uma pessoa por obrigação, ser um farto para ela. Sempre estivera ocupado demais, não poderia ser um bom marido. À noite se sentiu sozinho. Sentia saudades de sua família, queria alguém para estar junto. Pedir ajuda quando precisar. De novo, sentiu pena da empregada. Agora ficaria sozinha com dois filhos adolescentes. Sentiria ele falta dela? Provavelmente não. Fechou os olhos, tentando dormir. Imagens da infância, do pai, da mãe e dos avós não paravam de passar pela sua cabeça.




